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Minha lista de blogs

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Um dia nublado

    Acordei sem beijo quente, o café também não ficou quente, só o coração.
    Gata cheirando meu pé, coração apertado, leitura embaçada, janela embaçada. Cheiro de poesia velha, empoeirada, cansada de gritar pra sair do coração. Desespero no ar.
    Coloquei melodia nas coisas, mas elas ficam dançando no ar, não dá pra entender. Enxergar as coisas sem enxergar seu coração... tarefa impossível.
    Esperar, esperar, esperar... Esperar o que, afinal? A vida tá passando e eu só fumando cigarros, lendo, lendo loucamente quaisquer coisas fora do interesse (ir)real.
    Será que é um lamento de blues? Ou aquelas melodias doidas do Bitches Brew?
Depois da Rita e do Tim, lá no final, quem dá a nota é o Sérgio Sampaio.
    Vem a gatinha deitar do meu lado, mais um cigarro, outra leitura embaçada, mas o coração tá mais calmo depois do chá bem quentinho de melodias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Não acredite em palavras


Palavras, doces, beijos, abraços e amores. Nada disso completa mais, apesar de necessário, não é mais pleno.
Com o passar do tempo, você vê que tudo se repete e talvez doa mais, por você enxergar melhor. As mesmas desculpas, as palavras vazias e o corpo cheio de outras coisas que não são as que a boca diz.
Você acaba com medo, como sempre. Com aquele sentimento de culpa pelas suas decepções. É um ciclo vicioso... Igual a fumar cigarros e pensar em câncer. Não dormir noites inteiras por se ver num rio de mentiras. Cruel...
As pessoas não te querem por inteiro, têm medo de que você as atrapalhe na arte de conquistar o mundo.
Sente-se, tome um gole, dê um trago e logo enxergará. Tudo vai fazer sentido.

Saia desse sufoco! Deixe o coração respirar. Dê ouvido ás intuições, não acredite em palavras.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Delírio poético

Antes escrevia
quando sentia nostalgia
das coisas de outros tempos.
Antes escrevia
quando à(a) noite me despia
atrás de copos e lamentos
ou dos mais sublimes sentimentos.

Hoje escrevo porque vivo
cada instante de uma frase,
toda vez que eu codifico
aquilo que minh’alma arde.

Vomito cores quentes
como as da Frida,
que soltam as correntes.
Fico livre e viva
com a boca entre os dentes.
E aí eu perco a pobre rima, pois meu corpo é feito prosa poética, que se emenda inteira. Mas eu gosto do verso. Eu gosto do fragmento. Do sintético poético. Sentir as partes, arrumá-las num buquê; entrelaçá-las e esticá-las. Preciso de pontos pra construir peça a peça do meu mosaico. Deixo as cores se tocarem, os fragmentos se encontrarem, junto-os pra entender meu todo.
Fragmentado.
É colorido.
É pedaço de mim.

Meu delírio poético.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Quase cena de cinema

No meio da chuva
Andávamos devagar
No meio da trilha alinear
Face a face
Meu deu um trago debaixo do meu abrigo
Senti seu hálito
Escutei seu pensamento

Silêncio...

As bocas diziam...
Apenas pra não se tocarem.
Chovia...
Tocava a música da chuva noturna e fria

Debaixo do guarda-chuva
Entre nós
Tinha quentura
Tinha uma cena
Com desfecho inacabado.

Terminou poesia.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Convite

Não me idealize!
Não me analise!
Deixe a flor desabrochar sozinha.
Até já me arrancou poesia...
Me fez querer ficar bonita!
E te ver é sempre bom,
me dá frio na barriga.

Conheça meus fragmentos
Pra entender meu todo.
Escute a minha melodia
Pra enxergar meus versos!
Vamos ver o pôr do sol
E o que a vida tem de bom.
Eu tenho beijo, um trago e uma dose.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Perdendo o que nunca se teve


Espalhei poesia por toda a casa, mas não adiantou.
Coloquei flor na janela e me pus a escrever longas cartas 
                                                                        [a ninguém.
Tomei doses de nostalgia e ouvi Candy.
Andei por todas as ruas
E dei por acabar em becos.

Você tava lá...
Cheio de prosa e poesia,
Jogando fora os romances mal escritos
E até a rosa que te joguei pela janela.

Tome uma dose de mim,
Vem se embriagar de poesia
E me arrancar suspiros!

Mas se você quiser...
Vá embora.
Dê-me um beijo
mas, feche a porta.

Essentimento


É difícil ver que não se tem mais quatorze anos e, ainda preservar os mesmos sonhos. Esses sonhos são aqueles essenciais, os que fazem parte da nossa alma, como aqueles instantes em que ao escutarmos uma música, sentimos nostalgia de algo que não sabemos. E você vê que aquilo te deixa bem, não é só sonho... É você.
É difícil descobrir quem você é. Mais que descobrir, é se deparar com si mesmo. Você já consegue perceber quais são suas fases transitórias, as metamorfoses. Um dia achei que a metamorfose era uma só, constante. Mas vejo que em todos os tempos, ou fases, acreditamos que aquilo que está acontecendo, ou melhor, a nossa ótica presente será sempre aquela. Então é preciso descamar pra perceber outras coisas, pessoas, pensamentos, sentimentos, em suma, mundo. Isso também é poetizar a vida, encher de versos, sensações e noite. A gente inventa amores pra poder ter aquelas típicas sensações, mesmo que pra viver um caos e, depois a gente vê que nunca existiu, não passou de um delírio por excessos de doses de conhaque, poesia barata e sonhos.
São várias as metamorfoses que não tem previsão de passar. Elas vêm e tudo se embaralha! 
O som muda, o cheiro muda, as vozes mudam e, alguns sonhos também mudam. Até os medos mudam!  O que me sufoca é esse bloqueio vazio, as mãos que sempre travam, os sussurros loucos para serem gritados, o amor apertado, o desconforto com o mundo.
Corre atrás da tua essência menina! Corre pros cabelos cacheados! Corre pro sonho de criança! Pro brinco de estrelinha, pro beijo da mãe! Pras apaixonites agudas! Pra lua que olhava e... Veja onde parou. Vem correndo trazer pra mim o que eu tenho de mais valioso e dá pra eu cuidar. O resto eu vou vivendo.